Ética e moral: instrumentos para a reconstrução do Brasil

Abrindo os debates da Soea, Clóvis de Barros Filho afirma que não basta respeitar a ética, é preciso participar do processo de definição dos valores coletivos

Público lotou o auditório principal do Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, em Maceió

Uma imersão reflexiva sobre a definição e o conceito de ética e moral e como tais valores e princípios têm moldado as relações interpessoais, profissionais e da vida em sociedade ao longo da história deu o tom do início dos debates da 75ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea), nesta quarta-feira (22), em Maceió (AL). A palestra magna proferida pelo professor Clóvis de Barros Filho, um dos maiores e mais requisitados palestrantes da atualidade, debateu o tema “Engenharia e ética na reconstrução do Brasil”.

Esclarecendo que moral e ética não são sinônimos, o palestrante apontou como a sociedade contemporânea chegou ao que denominou de “erosão do paradigma da moralidade”. Para Clóvis de Barros, a moral implica um comportamento ou conduta pessoal e depende, portanto, da consciência individual dos limites da ação. “A moral não se autoriza, não tem a ver com fiscalização, repressão ou punição. Você decide os limites de acordo com os conceitos, valores e princípios que considera dignos, altivos ou soberanos”, pontuou.

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Clóvis de Barros Filho: “Será que não podemos construir uma sociedade com consciência moral e ética, que nos orgulhe e sirva de legado para nossos filhos?”

Ao convidar o público a conceber uma sociedade onde coexista a relação de confiança mútua, o professor mostrou como as pessoas chegaram ao convencimento de que ninguém deve confiar em ninguém. Para ele, somos responsáveis pela desconfiança generalizada, quer agindo de forma equívoca com os demais, quer aceitando o status de ser tratado como indigno deste valor, reproduzindo assim a desmoralização da vida e o modelo repressivo.

Ele explica que a ética é o outro lado da gangorra, fundamentada na inteligência comportamental e no entendimento coletivo e compartilhado, mas que não implica uma tabela de valores e normas definitivos. “Não basta respeitar a ética, é preciso participar do processo com competência para definir e atribuir valores, buscando a melhor convivência possível.”

Presidente do Confea, eng. civ. Joel Krüger, e o presidente do Crea-AL, eng. civ. Fernando Dacal Reis, participaram da palestra de abertura, ministrada pelo professor Clóvis de Barros Filho

O palestrante disse ainda que a definição das normas precisa acompanhar os processos e transformações sociais. Chamando a atenção para a existência de princípios de convivência antagônicos e conflitantes, o que chamou de valores complexos, mostrou a importância de ouvir a todos com tolerância e apontou situações em que ambos têm importância ética. “A confiança é a certeza no comportamento do outro sem verificar. Sem confiança não há interação. Mas a desconfiança também é importante. Um pedestre, ao atravessar a faixa, não pode apenas confiar na preferência que tem em relação ao veículo”, alertou.

Da mesma forma, a “transparência”, que ganhou importância como característica da conduta ética e cuja definição propõe que os indivíduos “façam as coisas de tal maneira que todos saibam sobre tudo, o tempo inteiro e em qualquer lugar”, perde valor quando o contexto exige sigilo. É o caso da relação médico-paciente, cliente-advogado e professor-aluno, ao aplicar uma prova, por exemplo. “A complexidade de valores depende da inteligência em discernir o que é justo e mais importante em determinado momento. A lucidez ética é a vitória sobre a canalhice tirânica e burra,” destacou.

Para o professor, é tempo de parar de justificar o atual contexto do país com o discurso de que o Brasil foi colonizado e que tais condutas se estendem desde então. “Será que não podemos virar a página e construir uma sociedade com consciência moral e ética, que nos orgulhe e sirva de legado para nossos filhos?”, questionou. Clóvis de Barros se despediu definindo de forma breve a felicidade como atributo da vida no presente, no aqui-agora, e requisitou a ética como fundamento para a busca de cotas equivalentes de felicidade para todos, como um momento eterno e perene, que enseje o desejo de compartilhá-lo com os entes queridos.

Reportagem: Adriano Comin (Crea-SC)

Edição: Julianna Curado (Confea)

Revisão: Lidiane Barbosa (Confea)

Equipe de Comunicação da 75ª Soea

Fotos: Art Imagem Fotografias

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