Plantio semimecanizado da cana-de-açúcar é irreversível

Produtores utilizam plantadora como forma de minimizar custos na produção

Ao longo dos últimos dez anos, a cana-de-açúcar vem passando por um período de baixa produtividade. E, para driblar dificuldades como escassez de chuvas e aumento da concorrência internacional, o engenheiro agrônomo Francisco Edilson Maia da Costa projetou uma plantadora, que reduz os custos de produção significativamente.

Costa apresentou sua invenção durante a 75ª Soea, quando citou diversas usinas nas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil que utilizam a plantadora, e que constataram a redução dos custos. “Não vejo mais o cultivo da cana-de-açúcar sem a utilização da plantadora. É irreversível”, ressaltou.

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De acordo com ele, o plantio convencional não traz sustentabilidade ao setor, enquanto que o mecanizado tem condição de tratar todas as canas sementes de forma linear. A média de consumo de cana semente no sistema de plantio convencional é de 19 toneladas. Utilizando a plantadora com quatro linhas, essa média cai para, no máximo, 4,5 toneladas de cana semente.

O engenheiro contou que visualizou a necessidade de criar um equipamento dessa sorte em 1986, mas somente em 2015 nasceu o primeiro protótipo da plantadora. As operações realizadas pela plantadora são: sulcamento, adubação, aplicação de defensivos, semeadura, uniformidade da distribuição, compactação e coberta. Ele deixou claro que o equipamento pode ser utilizado por pequenos e grandes produtores.

Outra solução de redução de custos destacada pelo engenheiro agrônomo é manter um viveiro. “Se o produtor desejar colocar seis gemas por metro linear, é indispensável ter um viveiro primário para ter garantia de que a cana está livre de doenças e poderá ser a mãe do canavial”, explicou. Mas Costa alerta: para que as mudanças desejadas pelo produtor sejam implantadas de forma satisfatória, é importante a participação do engenheiro agrônomo no processo. “Somente eles têm condições de dizer ao certo a necessidade de cada propriedade”.

Nos últimos 15 anos, o Brasil registrou 9 milhões de hectares de cana-de-açúcar plantada, 35 milhões de toneladas de açúcar produzidos, 800 mil empregos gerados e 440 milhões de toneladas de redução na emissão de dióxido de carbono nos últimos 15 anos. “É uma atividade boa desde que seja usada com conhecimento”, concluiu.

Reportagem: Erta Souza (Crea-RN)

Edição: Beatriz Craveiro (Confea)

Revisão: Lidiane Barbosa (Confea)

Equipe de Comunicação da 75ª Soea

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